quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lavou Tá Novo

Lavou tá novo e lá vamos nós de novo...
Terceiro milênio do calendário cristão, oito (mil) anos de guerra e tensões no oriente-médio, bombas, bombas e mais bombas no berço da civilização. E por aqui na aldeia, permeia o velho populismo de direita amalgamado com ideologias de uma histórica retórica de esquerda no país de todos. Uma queda brusca na pressão sangüinea do grande ciclope financeiro sinaliza uma nova recessão econômica no horizonte, tédio e monotonia, um imenso abismo existencial entre aqueles que procuram por algo significativo e os que estão aqui no mundo Casa & Vídeo- mouse-joystick a passeio. Mundo esse em que, cabeças de heróis e anti-heróis estão expostas em praça pública. O que fazer quando há mais de dez anos, a imagem de Che Guevara disputa visibilidade no cenário com a Coca Cola?
Minha idéia de cultivar uma existência repleta, sagaz de aventuras e conquistas passa pela convicção com que o cantor Raul Seixas aplicou em sua breve e intensa passagem pela vida. Estou longe de ser um desses fãs típicos do cowboy fora da lei da sociedade alternativa que só sabem gritar “toca Raul”, “toca Raul” em casamentos, batizados ou velórios. O que acontece é que quando ouço ou reflito sobre suas idéias sinto-me o protagonista de algo definitivamente fora do normal, capaz de ultrapassar os limites do dia a dia para além da mediocridade e da rotina, efeito prolongado do quebra-quebra conceitual que o cara promoveu há mais de trinta anos atrás e que até hoje reverbera a ponto de tornar-se um culto e só se compara ao levante revolucionário dos punks paulistas no início da década de oitenta. De lá pra cá todos nós perdemos a inocência, a realidade lixou todo o verniz das ilusões e ofuscou qualquer vislumbre pretensamente visionário com essa sobrecarga de imagens, sons e informações que visa a estagnação. Mas então o que fazer com essa faísca insistente? Não quero perder o bonde da história, nem ficar a ver navios deixando a existência escoar ralo abaixo. Consumidores eleitores andróides masculinos e femininos, obedecem programadamente ao pé da letra tudo o que captam na TV e saem à cata de lixo profuso e prolixo. Paranóicos anormais, psicopatas débeis mentais se rendem e caem sem pára-quedas nos braços da mais furiosa e amaldiçoada fama, não sem antes deflagrarem seu ímpeto anti-social impulsionado pelos implacáveis e espetaculares noticiários da crônica policial. A massa excluída de mortos-vivos segue sedenta de sangue e miolos que não aplacam a fome e o infortúnio de não reconhecerem a si próprios e nem a sua lamentável condição de vida.
Há muita brasa e carvão ainda para queimar nessa imensa churrasqueira sul americana chamada Brasil. O estoque de geladas está longe de chegar ao fim. O carnaval da recessão será como sempre, antropofágico e por fim autofágico, em uma terra de cegos, aonde quem tem um olho é rei com direito a cetro mágico. No presente, sempre haverá muito o que aprender com Raul Seixas, seguido de Júlio Barroso, Jorge Mautner, Mano Brown, Glauber Rocha, Chico Science, Luis Carlos Maciel, José Agrippino de Paula, Darcy Ribeiro, Zé do Caixão e tantos e tantos outros que valem uma jornada de descoberta única, pessoal e intransferível. Pessoas que projetam o seu modo de pensar para a realidade, que idealizam e praticam revoluções e evoluções diárias sem prazo de vencimento, não importa o que digam, o passado não está morto, apenas passou, lavou tá novo e lá vamos nós de novo.

domingo, 13 de julho de 2008

Os Inevitáveis Ritos de Passagem

Como já disse outras vezes por aqui, o heavy metal e o punk rock estão imersos nos diversos e adversos reflexos da minha linguagem pessoal, desde que eu me conheço por adolescente ente presente since 1983. Falo de um momento há exatamente vinte e cinco anos atrás, época em que covardemente cercado pela Blitz, Ritchie, Rádio Taxi, Lobão e Os Ronaldos, fui salvo a tempo pelos reforços dos emblemáticos, heróicos e famigerados Black Sabbath, Motorhead, Iron Maiden, Sex Pistols, Cólera, Olho Seco, Plebe Rude e Coquetel Molotov. Na época, era inacreditável para mim, que existisse algo assim, tão próprio de atitude, expressão e voracidade, somando exatamente tudo o que eu precisava ouvir, porvir e advir. Mas voltando ao início da forma, pois ao fim não se retorna, que diabo de linguagem é essa? Linguagem do Diabo? Extratos da altivez industrial misturada com um espectro de melancolia medieval? Talvez, apelar para o Lorde das Trevas seja o grande refúgio da imaturidade. Dizem que o metal é o jardim de infância do rock, cheio de headbangers que na primeira porrada séria já saem gritando, paiêêê!! Manhêêê!! Enquanto que os punks, mais adiantados entre o ensino médio e o campus da faculdade, na época botavam os cabeludos pra correr. Porém, acrescento com desdém, que esses aspectos são apenas estereótipos despóticos, sintéticos não-herméticos, esqueléticos conceitos de quem não está objetivamente familiarizado ou foi robotizado em seus rituais de passagem. A real é que os inevitáveis ritos de passagem representam mudanças na linguagem e se a minha linguagem pessoal é essa, então eu estou legitimamente ligado ao meu pregresso ritual de passagem e retornarei a este portal pelo resto da vida sempre que quiser. Coloco todas essas referências do passado mas não vejo lógica em cultuar uma eterna juventude em oposição à síndrome do envelhecimento progressivo, o tradicional aja de acordo com a sua idade. Acho válido agir de acordo consigo próprio, sem a ostensiva e compulsória influência dos obscurantistas do dia a dia, da nossa realidade, o que de fato, não é nem um pouco fácil. É como disse o Paulo Leminski: "Ser poeta aos dezessete anos é fácil, eu quero ver o cara ser poeta aos vinte e dois, aos trinta, aos quarenta, cinquenta, sessenta anos". Genial ainda é o conselho de Nelson Rodrigues: "Conselho aos jovens? Envelheçam". Há também os ditos populares: Cresca e apareça, pedra que rola não cria limo. Imagine então os Rolling Stones limados da condição de majestades do rock se Elvis o Rei do Crack estivesse ainda de pé. Se Elvis chegasse vivo aos anos 90 sem dúvida ele se tornaria o Rei do Crack. A verdade é que já dispomos de uma vasta memória de clássicos do século vinte, e agora, oito anos após o início do século vinte e um, com a queda das torres, vimos que a tragédia coletiva em tempo real será um legado mais que referente para a memória da próximas gerações. Voltando ao foco inicial do assunto, a linguagem pessoal de cada um e a expressão desta para o mundo é o que difere cada um de nós, mas a fala que iguala é a economia, não há escapatória, a economia tomou o lugar da política, da cultura e de todos os conceitos. A tão falada democracia dos dias atuais iguala a todos pelo potencial econômico. Finanças, números, matemática do universo, números apenas números, impessoais como a própria natureza . Se no passado Nietzsche disse que deus está morto agora é o humanismo que está morto, no mínimo fora de estação e as gerações tem a memória fraca. Mesmo assim não vejo motivo para tristeza, afinal a felicidade e a alegria podem ser programadas, não passam de reações químicas. Os componentes certos de qualquer fórmula são os caminhos de outrora. Como em Matrix, a realidade social que o homem criou é ilusória e escravizante e não soluciona o grande enigma da natureza com seus relativos e específicos graus de grandeza. Talvez porque a mente humana totalize demais as coisas é que seja impossível compreender tamanha vastidão. Então é provavel que não haja nada para ser revelado.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

CANÇÕES IMORTAIS & FANTASMAS ILUSTRES

Uma canção imortal é aquela que faz sentido em qualquer época, sobrevive ao tempo dos códigos de barra, sem distinção de faixa etária. Um fantasma ilustre é aquele que nos assombra com o sopro de uma melodia que não morre e está mais presente agora do que antes de sua passagem.
Minha cabeça é uma sinfonia amazônica que acaba em textos acelerados de três acordes. Tudo isso para falar da relação das idéias com as gerações passadas junto às novas que prosseguem, a pronta ação do tempo externo do relógio e o tempo interno de cada um, respectivamente Kronos e Kairos, os deuses do tempo na mitologia grega e que correspondem à Saturno na civilização romana. O que está acontecendo com a informação e a cultura? A mídia oficial só propaga artistas e personalidades para vender seus produtos com a urgência e a voracidade características do citado deus Kronos, tempo é dinheiro, então, por onde anda o Kairos? Esta figura excêntrica que rege o tempo subjetivo de cada um, está a circular na internet, no boca a boca, nas publicações alternativas, nas brechas ainda disponíveis em campo e nas cabeças mais vulcânicas de nossa geografia. Saturno é o tempo implacável que devora suas crias com base na invariável ética de um ecossistema, mundo animal este, que comporta um elenco próprio de predadores e presas. Saturno aqui, sugere a própria personificação de um sistema sofisticado e perverso. É a marginalização dos povos em seu processo histórico, a opressão, a alienação e a ignorância, a inquisição da igreja católica e o advento do nazismo, é o bom e velho apocalipse em pessoa, o fim do mundo, temido, retratado, zombado e cantado em prosa e verso, mas...o que o fim da civilização tem a ver com as tais canções imortais? Tem tudo a ver, o mito da extinção é uma eterna canção. Na alquimia, Saturno é o chumbo, metal pesado cujo grau de toxicidade contribuiu para a decadência do Império Romano, pois diversos utensílios domésticos utilizados na época eram feitos de chumbo, o que causou um envenenamento gradual e a esterilização total dos homens, que bebiam sem parar os vinhos produzidos e armazenados em tonéis cujo material incluia o chumbo. Qualquer relação mesmo que ilustrativa com o chumbo das balas perdidas que protagonizam hoje o temor coletivo da nossa sociedade, talvez não seja mera coincidência.

sábado, 29 de março de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

Qualé, beleza? Meu nome é Mauro. Não você não me conhece não. Pois é, meu nome é Mauro Maurício, mas o pessoal me chama de Mau Mau...tá ligado? É foda...Mauro Maurício, puta nome de galã de novela mexicana, se bem que a minha vida tá mais prá novela colombiana ou jamaicana se é que você me entende...Mas tudo começou com o amigo de um amigo meu, o cara buscava as paradas, pó e bagulho, em três favelas daqui do bairro. Aqui tem três morros, Morro do Café, do Arcanjo e Morro da Bonita, dai o cara vendia nas festas, nos esquemas daqui da área. Daí chegou o êxtase, virou moda e a coisa toda começou a render, ele passou pro meu amigo e meu amigo passou prá mim, assim formamos o esquema perfeito, hoje eu ganho grana de verdade e ainda separo o que eu consumo. Mas no ano que vem, se Deus quiser e o Diabo assinar embaixo, o quanto antes, levanto uma grana, abandono a coca, vou viver no mato e começo a minha plantação de cannabis. Por fim, digo adeus a esse esquema nefasto de sobe ladeira, desce ladeira, celular na madrugada, paranóia, paranóia, não dá mais, cansei, já encarei a morte de perto umas doze vezes, os caras largando o aço, tiro prá todos os lados, granada, maior terror... e pensar que até vinte anos atrás a gente achava que a terceira guerra mundial seria com míssil nuclear, Estados Unidos e Russia, aperta botão, explode, game over, que nada, a guerra é de capitalista contra capitalista, nunca começa mas também não acaba, tá no dia a dia, no conta-gotas, micro-guerrilha, são os narcos contra o poder estabelecido e ainda por cima com gente lucrando nas duas frentes. Outro dia no morro, um mané apontou o fuzil na minha cara, o imbecil retardado me vê quase sempre, já me conhece, mas tava tão noiado que não se ligava, achou que eu era da policia por causa da minha camisa preta, se não fosse a minha lábia e o sangue-frio eu tava fudido, depois o cara se desculpou me deu um abraço e eu todo borrado de medo nas calças, mijado e cagado de verdade, maior fedor e o maluco rolou de tanto rir da minha pagação. Mas tirando a parte dura, violenta e negativa da qual eu não participo, só corro risco, é fácil, a polícia não atrapalha em nada, é só tomar cuidado. Tem delegado por aqui tão doidão que podia passar nos filmes do Cheech and Chong, é a maior comédia. Só sei que o resto é festa, sou o rei dos malucos com coroa e cetro, mas também fala sério, as drogas são a melhor coisa que existe, droga é alimento, um alimento do espírito, da mente, da alma, o brasileiro é que é ignorante, hipócrita, o povo todo é viciado, joga no bicho, na loto, megasena. E quando os bingos funcionavam? Eram lotados dia e noite 24 horas, a minha avó então, só saia pra jogar. Tanta gente aí se matando de beber, comem mal, se entopem de guloseimas e ficam diabéticos, doentes, se acabam com tranqüilizantes, é tarja preta, remédio prá isso e aquilo, a quantidade de drogarias que eu vejo pela cidade só não supera o número de bares e butequins, é propaganda de cerveja com Juliana Paes, bunda prá lá bunda prá cá é o Zeca Pagodinho se gabando do alcoolismo de que toma todas...qualé, porque não liberam de uma vez ? Tem que legalizar tudo, que é pra ninguém e principalmente eu não correr mais o risco de morrer por aí ou ser preso e se liberassem eu iria vender muito mais. As drogas não fazem mal, tudo em excesso mata, nociva é a proibição que incita o interesse, deixa a pessoa ansiosa e coloca todo mundo em perigo desde os usuários até quem não tem nada com o lance. A criminalização das drogas é uma inutilidade é enxugar gelo. A lei seca deu origem à mafia, queria ver então o alcool proibido novamente no que ia dar de gente moralista perdendo a linha. Eu não tenho nada a ver com a guerra que existe entre o crime organizado e o Estado, não sou violento e nem assassino, só vendo prá gente legal, inteligente, honesta, sou classe média e não aceito a responsabilidade que querem jogar prá cima da gente. Do pé ao topo da pirâmide todo mundo usa drogas, desde o mendigo até o mais alto executivo de uma corporação. Aliás como é que você acha que um motorista de ônibus, um pedreiro, um lixeiro ou um carregador pode suportar o batente massacrante sem pó, sem bebida, depois chega em casa precisa relaxar e vai fumar um, porra! É lógico! Já o típico executivo montado na grana dispõe de diversas opções de “doping” para se fortalecer ou espairecer da rotina no maior conforto, com total amparo do sistema não é verdade? Enquanto isso a molecada segue arrepiando, tudo começando cedo, não aceitam conselho de ninguém, mas quem sou eu prá falar, eu já fui assim também. Se hoje quase aos trinta eu me aventuro, tem horas que eu me sinto um super herói, highlander total , imagina essa trupe de hoje. A gente olha pra todo lado nos shopping centers e só vê essa adolescentada. Eu não perco uma balada que seja, show, festa, baile funk, é coisa demais rolando, todo mundo se drogando, e as raves então? Mó comédia, ainda dizem que isso é herança da piração dos anos setenta, mistura de Woodstock com Embalos de Sábado a Noite, é brincadeira! Um cara chapado aperta uns botões e o resto fica fritando lá na frente da barulheira, não sei o que é pior rave ou baile funk, qualquer um faz o que esses caras fazem, mas o que interessa é que os palhaços tem grana. Quisera eu ter vivido nos anos setenta de verdade, naquele tempo ou você era maluco ou não era. Hoje é mole, o cara bota uma fantasia, se veste de punk, gótico, hippie, sai uma noite se entope de tudo, dança, beija, pula, pula, pega uma, duas, três minas, volta prá casa, passa mal, vomita, dorme e no dia seguinte vai trabalhar direitinho, estudar bonitinho, tudo nos conformes, é por isso que eu digo e repito, se tudo que gera lucro é o que justamente controla as pessoas, domina, então as drogas tem que ser liberadas ou então do contrário proíbam o resto. Sou maluco? Sei lá, de repente. O lance é que eu cultivo a minha sanidade na maior loucura e vivo a minha loucura na maior sanidade, não acredito em deus nenhum, mas sou ligado num papo místico tá ligado? Incenso é bom, tira o cheiro de bagulho, perfuma o ar, deixa o ambiente mais leve e é bom prá relaxar com a mina, gosto de astrologia, céu, inferno, quarta e quinta dimensão, Buda, os Orixás, Exus, tô ligado em tudo tá ligado? Mas de todas as tríades sagradas, Pai, Filho e Espírito Santo, Brahma, Vishnu e Shiva, Sexo, Drogas e Rock'n'Roll eu elejo a última, é lógico! E baseado nessa eu mesmo formo uma tríade com os meus dois amigos, é por esta que eu vivo, ganho dinheiro, a mulherada cerca, me divirto, viajo...faço o diabo a quatro. A gente vende um estado de vida, uma tacada de mestre, uma idéia, um caminho...tá ligado?

sexta-feira, 21 de março de 2008

SEJA CORROSIVO...

Seja você, você, você e você também...é você mesmo que eu estou falando...seja corrosivo...quer seja à margem da amargura, imagem, bravura ou de passagem no limiar da desventura . 

O marginal não é apenas um bandido de arma em punho em fotos de jornal. O marginal é alguém diferente, capaz de fazer o que outros jamais fariam, dai subsiste a sua vibe heróica. O que importam são as suas escolhas e como você vai trilhar o caminho.

O ladrão tira à força e isso traz conseqüências, muitos governos tiram à força, se mantém pela força e drenam as nossas forças. 
Águias e leões são os adornos da Babilônia. O símbolo do imposto de renda é um leão, o que isso quer dizer? Você não pode argumentar com um felino voraz, mas este pode ser domado, dopado, abatido a tiros. 
Não existem leões nas florestas do Brasil apenas em zoológicos mas parece que essa fera naturalizada brasileira é bem adestrada para mirar e atacar algumas presas e a outras deixar ilesas. O marginal com uma idéia na cabeça e uma arma na mão é alguém que assalta, ataca, rouba e mata, essa alma está numa grande queima de arquivo e seu destino é a vala, escoar pelas sarjetas do mundo, a menos que consiga sobreviver e se regenere, vire um trabalhador e quem sabe suba na vida ou mais ainda se torne um vitorioso homem de relações com o poder e seus agregados. 

Temos o exemplo de candidatos eleitorais com quilométricos processos penais, quase tudo por delitos análogos à lei da selva. Assim tem sido há 500 anos, mercenários, jagunços, capitães do mato, aventureiros, mão-de-obra para o homicídio, disputas no submundo da política, teoricamente pode-se eliminar um adversário da disputa com um mero latrocínio, tantos crimes e assaltos ocorrem quem investigaria a fundo? 

As organizações criminosas são a repetição da escravatura. Fernandinho Beira-Mar diz ele mesmo ser a ponta do iceberg. O soldado do tráfico não é mais do que um escravo turbinado. Quem vai propor e assinar a nova Lei Áurea? O marginal pode ser aquele vizinho maconheiro que faz zona no prédio toda noite, o cantor com fama de doidão que abraçou uma fantástica causa humanitária em causa própria. Aquele pagodeiro falador que morreu pela boca, pode ser também o playboy galã de novela pego no flagra com 20 gramas de cocaina num quarto de hotel acompanhado de quatro garotas de programa, dois travestís e um séquito de puxa-sacos armados. 

Aquele político que tem resposta pra tudo e ''nada de errado'' foi provado, quem sabe o craque de futebol bêbado e relapso no volante, ou então o artista revolucionário que virou ministro e finalmente, fechando com chave de ouro de tolo, o pastor evangélico ex-bandido, ex-viciado que virou parlamentar e quer porque quer mixar a sua retrógrada fé bíblica aos três poderes e aos quatro cantos do país. O marginal herói ou o herói marginal, no passado os exemplos eram mais redutíveis e compreensíveis. Na "festa da democracia" o voto é seu, ir ou não ir às urnas, a escolha é sua...seja você mesmo.

quarta-feira, 19 de março de 2008

INVEJA URORETAL DO PEIDO DE DEUS


Fala que eu te escuto! Quem é você? Como você se chama? Huuuuummmm...meu nome é Exú Macedo...eu vô distruí sua família e tomar tudo que é seu!

Que a Onça esteja com vocês nessa eterna Farra do Boi. A Inveja Uroretal do Peido de Deus surgiu para exorcizar, purificar, televisionar e conduzir o Atrasil com a Força do Espírito Manko. Nossos super pastores mostrarão agora, a esmo e à beira, com quantos caôs se faz uma carreira. Assistam ao Grande Circo Místico Turístico Nacional da Miséria e da Fome. As mais célebres traseiras atrasileiras e a fantástica revelação de que há mais bundas circundas entre o céu e o inferno do que sonha a sua vã filosofia. Mensagem dos Xamãs da nossa Inveja: "Temos oponentes, adversários, vários inimigos e muitos aliados na disputa pela consciência sequelada dos atrasileiros... Uncle Manko Wants You! Que a Onça esteja com vocês nessa eterna Farra do Boi! Parem de pensar que estão a pensar e descobrirão que não há nada nada de rebanho, nesta manada prestes a crescer em tamanho, vamos subtrair o ouro alheio, não há equilíbrio, estabilidade nem caminho do meio, quem é louco louco a ponto e tonto de rasgar dinheiro? Atrasileiros e atrasileiras conquistaremos o mundo inteiro! Saudações e maneirismos à beira do uro-ginecocôlógico abismo do capitalismo venenoso, vertiginoso, mil e uma noites em Gomorra, paraísos fiscais, submundo, corrupção, terror, plim plim, o fim da política e a política do fim... se tudo vai mal, contigo e os seus, venha para a Inveja Uroretal do Peido de Deus...Que a Onça esteja com vocês nesta eterna Farra do Boi..."

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vendido é O Fruto de Vosso Ventre


"O Diabo escreve por linhas porcas...eu sou apenas um excremento do Senhor".

O vocalista está no telefone trocando idéias com a empresária. "Agora ouça a nossa chamada: A banda punk Oswaldo Aranhas di Marte encarna o derradeiro comboio de mercenários psicóticos a infernizar os sobreviventes do Planeta Terra destruído e varrido na escuridão fundamental do cosmos infinito. A sonoridade desse quinteto é uma síntese de toda a raiva produzida e ouvida em cinqüenta anos de rock’n’roll e música pop. Gostou? Ótima chamada? Também acho. É uma paródia aos enredos fantasiosos e comerciais que as gravadoras criavam no passado. Podemos ser farsescos, retardados, bombásticos, pretensiosos, lunáticos, mas de mim e dessa banda, ninguém jamais captará qualquer freqüência que seja de sentimentalismo barato, bem como os sempre apelativos, fedorentos e diarréicos complexos de culpa cagada típicos da folclórica Terra de Vera Cruz. Aqui na Brazamora alguns ainda acreditam que o planeta é achatado, o oceano é habitado por monstros marinhos e o céu é formado por tábuas de madeira. E falando em folclore, quando é o próximo barulho? Vamos tocar de novo? Aonde? O que? Num concurso? Tá maluca? Você colocou a gente pra tocar num concurso de bandas? Nããão...quando você disse outro dia que era um festival achei que fosse apenas um show normal, mas concurso é uma bosta, a gente vai disputar com uma molecada de dezoito anos no máximo, e dá-lhe cover de Legião, Capital, CPM 22, Angra, vão entupir o júri de merda e ainda vão sair bem cotados. O público desses eventos é sempre formado pelas bandas concorrentes acompanhados dos pais, irmãos, tios e avós. Não é de hoje que essas competições não valem nada, já vi esse filme várias vezes no passado, e olha que eu já confundo o tempo que eu tenho de estrada com a minha própria idade. Já assisti ao surgimento de várias cenas diferentes ao longo dos anos, muita gente bem sucedida de hoje começou a tocar anos depois de mim, alguns estão por ai hoje em dia nas rádios e nas paradas. Por isso que eu não me atento a nada relacionado a este infame trajeto no qual as regras e a política só resultam no enriquecimento ilícito das pequenas e grandes máfias do entretenimento. Aliás em relação à linha tênue entre a bandidagem, a boemia, revolucionários, marginais e artistas, quisera eu que os vendidos frutos desse ventre artístico fossem como os bandidos da nossa era. A classe terrorista segue em uma crescente guerra contra a sociedade e as instituições com seus procedimentos de barbárie aliados a um pragmatismo cego. A configuração clássica do artista heróico-apocalíptico cuja missão é trazer a espada e não a paz é atualmente um espécime extinto na nossa aldeia metropolitana. Há cerca de dez anos atrás, os lombrosos dos Racionais Mcs estouraram no país e trouxeram alguma inquietação e desconforto, mas com as águas passadas, olhando agora, todos parecem politicamente corretos demais. Há trinta anos atrás então nem se fala, quase todos os pretensos e alguns nomes consagrados tinham a visão do perigo como meta. De lá pra cá nunca mais fomos surpreendidos por nenhum Curinga envenenando essa máquina toda, nenhum subversivo, algum profeta maldito que traga consigo a sua praga de gafanhotos e roedores para consumir e despedaçar com toda a estabilidade desse vicioso ambiente “social-artístico-comercial- amém”.

Enfim o fato é que nenhum operário do entretenimento cujo acesso às massas seja pleno de êxitos tem algum alvo específico senão o próprio bolso, pois carregam o receio de perder tudo, de jamais poderem se recuperar e voltar a pisar e a desfrutar do território ora conquistado. Todos tem medo do futuro. Célebres descerebrados que inseguros e angustiados, povoam o tabuleiro dos cavalos marinhos e dos bispos e feito donzelas, sonham em ser salvas do dragão. Eu jamais testemunhei tamanho demérito no invisível-para alguns- cenário do rock independente. Um espaço de quem jamais abriu mão ou deu qualquer chance para surtos e manifestações de indigência.
Bem e por falar em indigência, quanto ao concurso de bandas, eu acho que ninguém vai entender nada. A hora que o Oswaldo Aranhas di Marte subir e contar 1,2,3,4, o sangue vai correr e ferver feito lava vulcânica. Talvez digam que somos bons instrumentistas, que temos maturidade musical apesar da nossa imatura, enfadonha e ultrapassada selvageria. O que eu vejo de descompensador nisso, nesses festivais, é a perda de tempo. Os critérios de avaliação e essas premiações características tipo, uma gravação no estúdio vagabundo que apóia ou patrocina o evento para o primeiro colocado e equipamento de som para os outros contemplados é a maior barca furada. Na verdade, se for pra ganhar, é até melhor se conseguirmos algum pedal de efeito, encordoamentos novos ou um jogo de baquetas, pele de bateria e ponto final. E se falarem mal da banda, que o nome é estúpido e as músicas ridículas, eu digo que não sou eu, é o Diabo que escreve por linhas porcas, cartas marcadas, eu sou apenas um excremento do Senhor."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Vendido é O Fruto de Vosso Ventre


Quem vai pagar a cerveja? Quem vai fazer a missão?


De repente em pleno show, no meio da música, parou de tocar pra afinar a guitarra, a banda continuou levando a barulheira toda sem se importar, na verdade um a mais, um menos tocando nem fazia diferença. Não conseguiu afinar nada, jogou a guitarra no chão, escarrou em cima e saiu do palco, o maior estardalhaço, o volume alto e a microfonia insistente e ensurdecedora deram asas a melhor atuação que essa banda de merda já protagonizou nos últimos meses. Desceu pro camarim, começou a cheirar, fumando e falando sem parar, em seguida, saiu pela casa e foi para a platéia assistir ao show de sua própria banda. Olhava o povo e o pogo na panela de pressão, todos molhando as gargantas de garrafa em punho. As rodas de pessoas em volta, muito falatório , cabeças pensantes, vazias e demais "oficinas do Diabo ambulantes" indo e vindo, pra lá e pra cá, bebem sem parar e observam o movimento no buraco. Surgem três garotas, uma delas com cara de louca, a menina parecia estar em outra dimensão, arregalou os olhos para o guitarrista e perguntou: Não consigui entender bem o que você estava cantando, do que falam as letras das músicas de vocês? Quem eu? Tipo, alguma mensagem...nós? Bem a nossa mensagem é: Procure o inimigo, encontre, mate, destrua, depois pegue a mulher pelo cabelo e arraste pra caverna, beba e tome todas as drogas que você puder e tiver pela frente e morra! Desapareça! Eu acho que a mensagem é essa, mas como não sou eu que canto e escrevo as letras você devia perguntar pro vocal, é aquele ali cantando - disse apontando para o palco - eu sou só o axe man e posso te amarrar com as minhas seis cordas. A garota chapada ouvia atentamente como se o futuro dos próximos dois mil anos estivessem sendo revelados naquele instante pelo avatar de algum culto ancestral.
O guitarrista olhou fixamente a tatuagem do Che Guevara no braço da garota, segurou-a pelos ombros e começou a pregar aos brados: Comunismo é o caralho! Capitaliiismo a sua hora vai chegar! A única força social que prevalecerá é a lei do cão! Reality Show !Banho de sangue! Massacre! Guerra profana! Muitos morreram muitos morrerão! Quem vai pagar a cerveja? Quem vai fazer a missão? Vamos tocar!! Ensaiar, ensaiá, ensaiááá... porra!!! Não é porque a gente consegue ir do finlandês passando pelos Misfits até o Sabbath que a gente não precisa ensaiar, o resto é detonar todas e tocar naquele grau de embriaguês, no volume máximo! Estado de embriaguês ensurdecedora...é isso! Olhava para o teto com os braços abertos e os punhos cerrados. Estado de Embriaguês Ensurdecedora! Eu sou a voz do trono, com letreiros gigantes em chamas no fundo...a visão do inferno, diversões eletrônicas, mil e uma noites, bebidas, venenos, demônios e mulheres em transe. Todos querem se sentir demoníacos, fortes, sagazes e poderosos. A embriaguês ensurdece, anestesia, induz qualquer pacifista à carnificina total em zonas de confronto, cria coragem pra você fazer todo tipo de merda a qualquer hora. Existem ainda uma série de misturas fortes enlouquecedoras e nocivas à saúde cujas seqüelas são irreversíveis . No passado a Igreja Católica misturava-se com a política, hoje mistura-se consumo em massa e política com a magia negra dos voodoos catódicos e o resultado é que não há mais nada de político na cabeça de ninguém! A política morreu e ninguém viu o corpo! É tudo niilismo, hedonismo, cinismo, abismo, parasitismo, bom mocismo,alpinismo e paraquedismo social. Você acha que pode ensinar etiqueta e boas maneiras aos zumbis mortos-vivos?
A garota da tatuagem ria e fazia caretas de esforço para ouvir e entender, olhou para o guitarrista pregador riu mais ainda e finalmente falou: "Móó loco... você...é a cara do Che Guevara...tipo assim...muuuito show...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Os Cinco Sentidos serão Blindados

Cinco Sentidos serão Blindados

Sentidos serão Blindados

serão Blindados

dados

os

Saudações à aurora inglória da nova pré-história. Parafraseando o Dr. Samuel Johnson, pensador e literário setecentista: "Quem faz de si um animal selvagem fica livre da dor de ser humano". Saia do ar o quanto antes, fique invisível e presente feito as bactérias, recarregue as baterias e ao retornar você estará melhor com a visão redobrada, pois aqui na Babilônia todos os cinco sentidos serão blindados, saturados ao máximo, até torná-lo remoto, incapaz de distinguir o verde do vermelho. Ando pela cidade com a carteira vazia e tenho que convencer aos freqüentes pedintes que nada tenho e por ora não posso ajudar. Sou um fã crédulo das diversas teorias da conspiração e das lendas urbanas que proliferam pelos quatro cantos do mundo, até porque, não vejo diferença entre os noticiários os comerciais de propaganda um bom filme e o ambiente da nossa realidade. O fato comum é que tudo está à venda, então tire a venda dos olhos e sintonize a sua freqüência. E a verdade é que as coisas sempre foram assim, contudo os sistemas de hoje são mais elaborados, persuasivos, grosseiramente sutis, silenciosamente eloqüentes, ostensivamente furtivos, mundo plástico pleonástico, nada mais insano que isso...