Isso é que é carnaval! Abriram um bar de rock'n'roll a poucas quadras daqui de casa, mais uma das incríveis e incomparáveis iguarias turísticas do folclórico freak show de Copacabana que na verdade trata-se de um botequim escuro e cavernoso sem música ao vivo, repleto de gringos do albergue mais próximo e que toca os cds que eles tiverem à mão ou os que você trouxer. Pena que eu não possa ir só de de cueca...pelo menos dá para beber, peidar e arrotar como naquela canção do Matanza. Levei meus cds para lá e montei acampamento. Quem nunca escutou Viking Skull, Monster Magnet, Black Label Society, Foghat e Joe Walsh bêbado e fumado não sabe o que é bom nessa vida. Desde 1995 que eu me sinto um completo selvagem perdido nas infinitas selvas setentistas habitadas por Charles Manson, seus discípulos de Altamont e as doces ninfas da capa do Electric Ladyland. Portanto, a estas alturas, pode chover fogo, pedra e que venha o dilúvio com os tremores de terra, as erupções vulcânicas e os Ets cinzas atrás de carne humana para churrascadas em Marte que eu não estou nem aí para mais nada. Por mim eu jogava uma bomba atômica nesse mundo carnavalesco aqui e agora.
Por falar em carne humana, você sabia que o canibalismo, este velho hábito, brasileiro por excelência e erradicado há mais ou menos quinhentos anos atrás pela santa igreja católica ainda é de alguma maneira praticado por alguns segmentos de nossa sociedade? Não foi por acaso que o tropicalismo com sua antropofagia cultural deu as caras no momento em que as caldeiras e os porões da ditadura ardiam e ferviam severamente banhados em sangue enquanto o país seguia arejado e suave tal qual em um belo restaurante pleno de luxo e requinte. O que dizer então dos atuais tribunais do tráfico de drogas aplicadamente inclinados a pena capital da tortura, do esquartejamento e do microondas? Sem falar nos caveirões cuspidores de fogo, máquinas de um sistema de abate cuja sanha sanguinária já bate em nossas portas no horário nobre ao ritmo do tamborzão. Eu escutei certa vez em um sonho louco que a antropofagia significa muito mais do que o conhecido simbolismo de assimilar a força do inimigo. O fato é que a ingestão de carne humana realmente dá mais força do que a alimentação convencional própria dos civilizados e se a carne bovina que dizem ser comprovadamente um gênero alimentar completo cuja ausência na mesa se faz sentida por muitos, então vocês não fazem idéia dos verdadeiros benefícios à saúde proporcionados pela carne humana. Bem, isso foi apenas um pesadelo insano e medonho disfarçado de sonho louco, porém são inegáveis os reflexos deste hábito ancestral em nossa estranha, confusa e primitiva sociedade, ou talvez eu esteja delirando demais e esta turma noturna, de cara cheia, cordial e civilizada em volta da churrasqueira aqui na calçada, batucando na frente do bar seja apenas uma turma noturna, de cara cheia, cordial e civilizada em volta de uma churrasqueira na calçada batucando na frente do bar.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
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