segunda-feira, 18 de junho de 2007

Todos os dias pela manhã, eu prontamente agradeço dez vezes em frente ao espelho por ser um contumaz apreciador das mais ácidas laranjas mecânicas provenientes dos pomares da sétima arte. Quer seja Ivan Cardoso com Ed Lombroso, Eisenstein com Frankenstein, Godard com Mojica, Buñuel com canjica, Sganzerla com mortadela, Baiestorf com Orloff, Glauber com os Irmãos Rocha ou Pepa com xepa, minha gratidão é extensiva aos atuantes da música independente e descompromissada com o êxito formulado, testado e aprovado nos laboratórios do Grande Irmão. Menções honrosas aos Racionais Mcs, aos Ratos de Porão, Krisiun e ao Daminhão Experiênça.
Aqui e agora, refiro-me propriamente às formas de vida inteligentes que habitam este canto da galáxia e cuja auto-expressão seja o livre confronto direto e um posicionamento ofensivo aos padrões diluídos e direcionados ao grande público, este que representa o principal alvo da indústria da cultura de massa, das arrasadoras mega-campanhas elaboradas e veiculadas para outdoors, totens, sorteios, horário nobre, novelas, celeiros de celebridades, partidos políticos, festas, eventos e promoções, iscas e anzóis desse imenso mar de tubarões.
Não tenho nada contra ninguém especificamente, pois todos nós, querendo ou não, constituimos o chamado público alvo, somos objetos das freqüentes balas perdidas dos tiroteios, rajadas, granadas e falsas blitz capitaneadas pelo famigerado mainstream. A odiosa Babilônia protagoniza esta incessante guerra meio-quente-meio fria, verdadeira cruzada pragmática movida contra um efetivo, resistente e ultrapositivo terrorismo contracultural e anticonsumista. Acredito neste princípio idealista e extremo que sinaliza e brota nos quatro cantos do mundo, como boa erva-daninha, forte e plena na nobre e natural função de temperar e fertilizar o insalubre e árido território em que inadvertidamente vegetamos à espera da próxima "novidade". O terceiro mundo vai explodir!

1 comentários:

Soraya Magalhães disse...

Como vc escreve bem!!!
muito bom te ler.