domingo, 13 de julho de 2008

Os Inevitáveis Ritos de Passagem

Como já disse outras vezes por aqui, o heavy metal e o punk rock estão imersos nos diversos e adversos reflexos da minha linguagem pessoal, desde que eu me conheço por adolescente ente presente since 1983. Falo de um momento há exatamente vinte e cinco anos atrás, época em que covardemente cercado pela Blitz, Ritchie, Rádio Taxi, Lobão e Os Ronaldos, fui salvo a tempo pelos reforços dos emblemáticos, heróicos e famigerados Black Sabbath, Motorhead, Iron Maiden, Sex Pistols, Cólera, Olho Seco, Plebe Rude e Coquetel Molotov. Na época, era inacreditável para mim, que existisse algo assim, tão próprio de atitude, expressão e voracidade, somando exatamente tudo o que eu precisava ouvir, porvir e advir. Mas voltando ao início da forma, pois ao fim não se retorna, que diabo de linguagem é essa? Linguagem do Diabo? Extratos da altivez industrial misturada com um espectro de melancolia medieval? Talvez, apelar para o Lorde das Trevas seja o grande refúgio da imaturidade. Dizem que o metal é o jardim de infância do rock, cheio de headbangers que na primeira porrada séria já saem gritando, paiêêê!! Manhêêê!! Enquanto que os punks, mais adiantados entre o ensino médio e o campus da faculdade, na época botavam os cabeludos pra correr. Porém, acrescento com desdém, que esses aspectos são apenas estereótipos despóticos, sintéticos não-herméticos, esqueléticos conceitos de quem não está objetivamente familiarizado ou foi robotizado em seus rituais de passagem. A real é que os inevitáveis ritos de passagem representam mudanças na linguagem e se a minha linguagem pessoal é essa, então eu estou legitimamente ligado ao meu pregresso ritual de passagem e retornarei a este portal pelo resto da vida sempre que quiser. Coloco todas essas referências do passado mas não vejo lógica em cultuar uma eterna juventude em oposição à síndrome do envelhecimento progressivo, o tradicional aja de acordo com a sua idade. Acho válido agir de acordo consigo próprio, sem a ostensiva e compulsória influência dos obscurantistas do dia a dia, da nossa realidade, o que de fato, não é nem um pouco fácil. É como disse o Paulo Leminski: "Ser poeta aos dezessete anos é fácil, eu quero ver o cara ser poeta aos vinte e dois, aos trinta, aos quarenta, cinquenta, sessenta anos". Genial ainda é o conselho de Nelson Rodrigues: "Conselho aos jovens? Envelheçam". Há também os ditos populares: Cresca e apareça, pedra que rola não cria limo. Imagine então os Rolling Stones limados da condição de majestades do rock se Elvis o Rei do Crack estivesse ainda de pé. Se Elvis chegasse vivo aos anos 90 sem dúvida ele se tornaria o Rei do Crack. A verdade é que já dispomos de uma vasta memória de clássicos do século vinte, e agora, oito anos após o início do século vinte e um, com a queda das torres, vimos que a tragédia coletiva em tempo real será um legado mais que referente para a memória da próximas gerações. Voltando ao foco inicial do assunto, a linguagem pessoal de cada um e a expressão desta para o mundo é o que difere cada um de nós, mas a fala que iguala é a economia, não há escapatória, a economia tomou o lugar da política, da cultura e de todos os conceitos. A tão falada democracia dos dias atuais iguala a todos pelo potencial econômico. Finanças, números, matemática do universo, números apenas números, impessoais como a própria natureza . Se no passado Nietzsche disse que deus está morto agora é o humanismo que está morto, no mínimo fora de estação e as gerações tem a memória fraca. Mesmo assim não vejo motivo para tristeza, afinal a felicidade e a alegria podem ser programadas, não passam de reações químicas. Os componentes certos de qualquer fórmula são os caminhos de outrora. Como em Matrix, a realidade social que o homem criou é ilusória e escravizante e não soluciona o grande enigma da natureza com seus relativos e específicos graus de grandeza. Talvez porque a mente humana totalize demais as coisas é que seja impossível compreender tamanha vastidão. Então é provavel que não haja nada para ser revelado.


3 comentários:

Daisy disse...

A sobra é olhar pros lados, desmarginalizar, ninguém e nada mais é minoria.
Os conceitos ruíram e cada um se programa, sabendo o quê e a que horas vai fazê-lo feliz. Ou solitário. Deus morreu (talvez) mas então Nietzsche agoniza no século vinte e um.
Somos retalhos agora, mergulhados até o pescoço na devassa do hibridismo. Posso ter um Renoir na parede igual ao mais sisudo dos aristocratas em fim de carreira. Minha tela, uma simples reprodução, mas o pintor está alí.
E se hoje são retalhos, façamos a colcha com delicadeza, ou não, é fácil incendiar vinis e bíblias, coisas do passado, cheias de defeitos.
O importante, creio, é manter a memória, o chip dos sentimentos.
Plebe Rude, Van Hallen, Jeff Back e Chuck Berry... Por que não?
Andróides já nos tornamos. Mas o sentimento pode ser canalizado para os templates da emoção. Colorir com mercúrio, num duplex de qualquer cidade. ;)

Daisy disse...

... beijo! :)

Daisy disse...

Lucky,
Veja o que tá rolando com seu link. Lá no seu comentário deu tilt. Não se chega aqui, e teu blog é um prazer divulgar ;)